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A PALAVRA DA FICÇÃO
O real e o sobrenatural se convergem no imaginário cristão de maneira tranquila ou polêmica e perguntamos: quais os limites do uso artístico da Palavra de Deus?

    No decorrer da minha experiência como cristão de tradições pentecostais, eu já presenciei diversas situações em que se fez natural alguém dizer “O que é loucura ‘pro’ homem é sabedoria ‘pra’ Deus”. Tais palavras fazem referências aos escritos do primeiro capítulo do livro de I Aos Coríntios*, com sua leve dose de adaptação. E, sob o guarda-chuva criado por essa frase, acontecem diversas profecias, revelações, visões, línguas estranhas, anjos e outras manifestações espirituais que alguns tratam por costume.

    Tais acontecimentos estão longe de serem normais para a sociedade como um todo, já que mais se espera ver um fantasma ou um espírito maligno à sua frente do que ver algo celeste, pois isso soam como inatingíveis. Mas o caso é que, seja pró-bem ou seja pró-mal, a nossa fé nos envolve em diversas situações de deixar qualquer um de cabelo em pé!
    E, nessa de se arrepiar, não são poucas as vezes em que a literatura de ficção se apropria das relações com o divino como fator de enriquecimento para as suas narrativas. Mas essa estratégia encontra diversas resistências, não tanto dos céticos que usufruem do lazer que é ler um livro com esse assomo, mas sim daqueles que levam a Palavra a ferro e fogo sobre qualquer utilização que não acompanhe a sua risca.

    É estranho que tratemos sem imaginação e princípios lúdicos um livro que apresenta gigantes como homens de fama da antiguidade (Gn. 6:4), o Sol retrocedendo dez graus em relação à Terra (Is. 38:8) e um cego restituído da visão sob o ato de ter lodo – feito com o cuspir de Jesus na terra! – passado sobre seus olhos e logo lavados num tanque específico (Jo. 9:6-7). Na verdade, tomamos esses acontecimentos por ilustrações rígidas, interpretamos as metáforas sem consenso algum e tudo isso com uma seriedade que nos impede de ser como meninos na malícia.



    Não entenda mal, não devemos desconsiderar a verdade de nenhum dos textos citados, mas sim dar luz à criatividade que existe em nós e permitir que as escrituras sejam traduzidas para outros gêneros, primeiro para termos maiores dimensões da aplicabilidade da fé, em contextos atuais ou fantasiosos, para que seja percebida a infinidade de possibilidades que a Palavra nos oferece; e segundo para que o evangelho alcance, como semente, o coração de muitos que não conseguem ou não tem por costume a ler a Bíblia com desenvoltura e constância como num outro modo textual

    Não, mais uma vez, não me entenda mal, as Sagradas Escrituras nunca devem ser substituídas por qualquer outro material, mas é interessante que criemos mais caminhos para que mais pessoas cheguem até ela.
    Como membro da Editora Ágape, me preocupo com o lado comercial das nossas ficções religiosas? Certamente! Todos se preocupam em colher os frutos de seu labor. Mas como leitor por amor e livreiro por paixão eu me preocupo com o conteúdo daquilo que leio, indico ou até mesmo vendo, pois nem só de papel se vive um livro, mas também do acréscimo à vida daquele que o lê.
    Pois lemos nós aquilo que vai nos acrescentar a vontade de pesquisar sobre a vida eterna. Lemos nós aquilo que vai ampliar os nossos horizontes e crítica sobre aquilo que os homens nos ensinam. Lemos nós aquilo que nos direcionará para a voz do ser que inspira o bem em todos aqueles que encontram a sua luz: esse ser é o nosso Pai que está nos céus e a ele tudo devemos dedicar.
    Por isso tudo, abaixo seguem os links e informações que levam a conhecer um livro e um filme homônimos que indico para você:
Trailer do filme (versão original de 1959): http://bit.ly/2LLylS0
Livro físico (Editora Ágape, 2018): https://amzn.to/2RK0RY8
Livro digital (Editora Ágape, 2018): https://amzn.to/2PGRLIS




    “Ben-Hur – Uma história dos tempos de Cristo” é um romance épico, escrito por Lew Wallace e publicado pela primeira vez em 1880, mas continua atual e inspirador. Adaptado quatro vezes para o cinema – vencendo 11 óscares na versão de 1959 – conta a jornada do príncipe Judá Ben-Hur, contemporânea à de Jesus de Nazaré, como um homem bondoso que foi consumido pelo ódio e desejo de vingança após uma grande traição. Mas o seu destino se cruza com o do Mestre e sina nenhuma continua a mesma após um acontecimento da magnitude.

    Com muita sensibilidade, ação evirtuosidade, essa narrativa é uma das mais importantes e conhecidas dentre todas as ficções cristãs existentes. E se você que leu até aqui por algum motivo, que não as minhas palavras, mas sim a inspiração que você sentiu dentro de si e te fará buscar mais visões sobre o verdadeiro caminho de Deus, eu tenho a certeza de que transformado você sairá dessa experiência!
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  Abraços!


*todas as referências bíblicas nesse texto são tiradas da tradução para o Português da Bíblia segundo João Ferreira de Almeida, da versão fiel e suas correspondentes.