Meu pai, meu herói

Todo menino vive a expectativa da chegada do pai depois da jornada de trabalho ao fim do dia. Pelo menos é assim nos lares formados na essência do que Deus planejou como família. Falando apenas do imaginário dessa cena cotidiana pode parecer algo de tamanha simplicidade, mas só mesmo um filho pode dimensionar o valor contido no retorno de seu herói, à tardinha ou à noite, aumentando essa felicidade ao jogar-se em seus braços entregando-lhe ansioso o relatório dos acontecimentos durante sua ausência.
Dá para se pensar, dentro desse tema, em como deve ter sido frustrante para Absalão essa falta de carinho que vinha de seu pai Davi. Isto pode ser transportado para nossos dias quando as atividades e ocupações laborativas tomam dos filhos até aquele tempinho que é deles por direito. Alguns pais, em razão dos compromissos cada vez maiores, colocam substitutos em seus lugares. Sendo assim, alguns mimos passam a ter a função de minorizar a inexistência do diálogo pai e filho, criando verdadeiros traumas na criança.
A falta desse diálogo foi culminante na relação de Davi com seu filho Absalão. O rei de Israel vivia muito focado em suas obrigações monárquicas deixando que o conforto e a abstança real fizessem, de certa forma, o seu papel. O menino Absalão – pode-se conjecturar – não recebia o afago do pai no regresso de suas batalhas e conquistas. Não passeava pelo palácio segurando a mão do pai contando-lhe as façanhas praticadas no seu dia e o pai não compartilhava com ele o resultado de suas batalhas e conquistas.
A psicologia se debate e se descabela a todo instante, com seus consultórios lotados de filhos desajustados, com a patologia tendo gênese única e exclusivamente na privação que a criança sofre dos pais. O pobre Absalão cresceu afetado por esse descarinho paterno. O trauma avolumou-se de tão forma que gerou no coração do menino uma reação odiosa com a figura desfigurada do pai.
Davi, com toda a sua realeza, não atentou para a importância que devia dar à sua prole, “criando” dentro de casa filhos problemáticos. Ódio, incesto, assassínio, rancor, traição e revolta foram situações e comportamentos externados por sua descendência filial. Às vezes o tempo não concede mais condições aos pais para reverter um quadro de deformação erigida no relacionamento com seus filhos. E essa foi a sina de Davi no seu desempenho pífio enquanto pai.
Ao final, o que restou a Davi foi o choro compulsivo e amargo ao receber a notícia que o filho havia morrido. Absalão tornara-se inimigo ferrenho de Davi e morrera movido pelo sentimento revoltoso que carregava no coração por tudo o que o pai representava ou deixara de representar na sua vida. No entanto, os sentimentos paternos reacenderam no íntimo de Davi a ponto de perguntar: “está tudo bem com Absalão?”. O amor pelo filho explodiu no peito de Davi mas agora era tarde demais. Já era tarde para aquele pai demonstrar seu amor e preocupação para com o filho. Ele estava morto e com ele morreu a possibilidade de reatamento amoroso entre eles. Davi queria ter morrido no lugar do filho Absalão e sofreu muito pela perda.
Que a história doída vivenciada pelo rei Davi possa servir de alerta a todos os pais no dia a dia com seu filho.

A busca desenfreada por prosperidade

Não há nos relatos bíblicos nenhuma condenação para que sejamos prósperos em nossa vida material. Muito pelo contrário! No cânon sagrado podemos encontrar alguns homens de Deus que viviam uma vida favorecida pelo poder aquisitivo altíssimo que ostentavam, mas que, embora fossem privilegiados financeiramente, não se deixavam corromper, permanecendo firmes no propósito de adoração a Deus.
É até interessante mencionar-se que essa fidelidade ao Criador, na verdade, foi a questão primordial para que os celeiros desses homens ficassem abastados.
Primitivamente a história hebreia tem no patriarca Abraão um exemplo marcante de alguém abençoado por Jeová-Jiré. Sua descida ao Egito para aplacar a fome que assolava Canaã transformou-se, miraculosamente, na fonte de obtenção de seus bens – lembrando que Abraão não se furtou em honrar a Deus com as primícias de seu dízimo.
A pecuária era a principal atividade lucrativa nas regiões asiáticas e Jó – um edomita tremendamente abençoado pelo Altíssimo – era possuidor de um gado composto por sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de boi, quinhentas jumentas e ainda tinha ao seu redor diversas pessoas como seus serviçais, sendo o homem mais rico do Oriente. Toda essa riqueza não se transformou num empecilho para que Jó deixasse de cultuar ao Senhor dos Senhores e passasse a dar-se em adoração a Mamom – como muitos já fizeram –, mesmo sendo assolado por provações quase que insustentáveis.
Jesus, por outro lado, adverte quanto à dificuldade de adentrar o céu, percebida naqueles que confiam nas riquezas, conforme registro de Marcos, capítulo 10, versículos 23 e 24, e o encontro do Mestre com o jovem rico é bastante didático nesse assunto.
Continuando no evangelho de Marcos é sabido que uma multidão se engalfinhava sedenta para receber algo de Jesus, porém, nenhum dos que procediam assim foram percebidos pelo Filho de Deus. Somente a mulher doente e desenganada pelos médicos há doze anos despertou a atenção de Cristo. Todos o tocavam talvez gananciosos pela obtenção de ganhos materiais como se estivessem diante de um mágico que a qualquer toque pudesse transformá-los em homens endinheirados e prósperos materialmente.
A prosperidade foi obtida pela mulher sofredora de uma antiga hemorragia, única e exclusivamente, em razão da riqueza de seus sentimentos.
“Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes, porque Ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” – Hebreus, 13:5.

Pedido de habeas corpus indeferido

Não podemos reclamar da liberdade com que se divulga o Santo Evangelho em nosso país. A liberdade de culto, no campo das leis humanas, tem o endosso da Constituição Brasileira, transformando nossa nação numa terra abençoada e onde o campo é fértil para a semeadura.
De outro giro, infelizmente, nota-se que alguns lobos travestidos de ovelhas têm-se valido, inescrupulosamente, dessa liberação evangelística tupiniquim para montarem suas alcateias, estando totalmente divorciados da importância genuína na transmissão das boas novas, preocupados, ab initio, no engorduramento de seus bens materiais – isto é o que se noticia rotineiramente nos órgãos midiáticos, atraindo-se até aqueles escândalos sancionados no sermão visto e lido no primeiro evangelho do Novo Testamento.
Essa desprovisão da essência dos ensinamentos de Jesus possui responsabilidade maior quando esses agentes são os pastores à frente de seus rebanhos, conforme retiramos do texto de Jeremias 23, caput.
Mas, nada ficará imune ao juízo de Deus!
Chegará o dia da audiência de julgamento no tribunal de Cristo pelo qual todos nós compareceremos para recebermos segundo tudo o que tivermos feito por aqui.
Alguns, inconformados com a decisão do Supremo, buscarão sua liberdade valendo-se do habeas corpus cujo teor está estampado em Mateus, capítulo 7, versículo 22:
“Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?”.
O Juiz, seguindo o curso do processo, receberá os autos da ação do HC repressivo, passando, então, ao exame das alegações do paciente.

Uma vez que não detecte quaisquer pressupostos que o convença à liberação do corpo, eis que prolatará, finalmente, a sentença em que não se caberão mais recursos, condenado o impetrante à prisão perpétua:

“Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

É namoro ou amizade?

O dia dos namorados – oficializado no calendário para 12 de junho – está chegando e a turma do presentinho fica em polvorosa porque a data não pode passar sem que pelo menos um pequeno mimo, por mais simples que seja, chegue às mãos da pessoa amada. Afinal, o que vale é a intenção, não é mesmo?
Os casais que se amam não conseguem disfarçar o amor que nutrem uns pelos outros. Até mesmo um simples olhar denuncia quando o homem e a mulher estão enamorados, mesmo que, às vezes, dependendo do momento, isto possa transformar-se numa situação desconfortável. Há empregadores e patrões, por exemplo, que não admitem que seus subordinados mantenham relacionamento amoroso no ambiente de trabalho porque entendem ser prejudicial ao rendimento das tarefas.
Realmente, há que se buscar certo controle das ações enamoradas em determinados locais.
Vejam o caso flagrante ocorrido entre Isaque e Rebeca: herdando do pai a atividade de cavador de poços, encontrava-se na Filístia – hoje Palestina – abrigando-se da fome que tinha se alastrado sobre a terra. Diria alguns que essa fase da vida do patriarca seria uma espécie de déjà vu dos tempos de escassez vividos por Abraão.
Por ser um forasteiro naquele lugar de boas pastagens e temer que os filisteus o matassem para poderem abusar de sua mulher, Isaque profere uma “mentirinha providencial”, alegando que Rebeca era, “na verdade”, sua irmã.
Chama-nos a atenção, porém, o versículo do Dr. Lucas que diz que não há encoberto que não venha a ser revelado, traduzido hoje para “mentira tem perna curta” – o que foi uma clara evidência na vida de Isaque.
Lá estava ele, então, profundamente enamorado de sua Rebeca. Quem o visse veria alguém abobalhado e embevecido pela beleza da mulher. Isaque fazia-lhe carícias, esquecendo-se totalmente de manter o teatrinho da mentira que inventara aos filisteus. A relação entre os dois certamente facilitaria a paráfrase ao antigo programa televisivo, gerando a pergunta: “é namoro ou amizade?”.
Não deu em outra: a encenação do apaixonado Isaque foi descoberta! Ele foi traído pelo coração. Primeiro porque não desgrudava de Rebeca nem um segundo. Sofria da síndrome do chiclete tão comum aos jovens casais enamorados. O rei, de repente, olhando pela janela, flagrou Isaque brincando com Rebeca como nenhum irmão brinca com sua irmã. Aquilo parecia mesmo um namoro antigo!
Conferindo em Gênesis, capítulo 26, versículo 11, depreende-se que pelas palavras do rei determinadas aos filisteus, não havia a mínima necessidade de Isaque valer-se daquele estratagema mentiroso porque Deus dera-lhe a garantia de que o abençoaria (vide versículo 3º do mesmo capítulo).
Como bem disse o apóstolo Paulo: “o amor não se conduz inconvenientemente”.