
Confira a entrevista com o autor Vinicius Couto e conheça mais sobre ele:
Ágape: Os três choros de José no Egito fala sobre o tratamento alma. Por que se inspirou nisso?
Vinicius Couto: Partindo do pressuposto tricotômico, isto é, de que o ser humano é constituído de corpo, alma e espírito, fui inspirado a tentar ajudar pessoas que estão com suas almas aprisionadas com sentimentos diversos, tais como amargura, ressentimento, mágoas e outros. Existem muitas pessoas que não conseguem perdoar àqueles que lhes prejudicaram um dia. Elas preferem esconder esses traumas e fingir que está tudo bem, quando na verdade, estão se corroendo por dentro. Elas pensam que se esqueceram das pessoas que as feriram e tentam levar a vida, mas não se dão conta de que passam 24 horas com elas. Dormem juntas, almoçam juntas, trabalham juntas, enfim, elas permitem que essas pessoas residam emocionalmente em seus corações. A proposta é que, a pessoa ferida use da mesma graça que Deus usou para com ela, gratuitamente para com aquele que a machucou, como nos ensinou Jesus na parábola do credor incompassivo (Mt 18.21-35).
Ágape: Como foi o processo de escrita e pesquisa que compõe o livro?
V.C: O livro nasceu de um período em que estávamos estudando o livro do Gênesis em nossa EBD. Enquanto eu preparava uma lição sobre José, fiquei muito interessado na forma como ele havia reagido após todas aquelas experiências que para muitos seriam traumáticas. Afinal, como nos sentiríamos se fôssemos vendidos como escravos pelos nossos próprios irmãos? Enquanto meditava nas atitudes de José, percebi que seus choros possuíam um grande significado para nossas vidas. Duas semanas depois, estava eu pregando um sermão sob o mesmo título: os três choros de José. Mesmo após quase quatro anos em que esse sermão foi pregado, muitas pessoas ainda se lembram dele. Aquele culto foi especial para muitos e também para mim. Lembro-me que muitos choraram e se identificaram com a mensagem, além de passarem por uma grande mudança de vida. Foi aí que nasceu a ideia de escrever um livro. Por que não alcançar mais pessoas e ajuda-las a conhecer um pouco mais de si mesmas e do propósito de Deus para a vida delas? Desde então, a pesquisa consistiu em ler mais materiais de autoridades no assunto, como David Wilkerson, Ubirajara Crespo, Charles Allen, David Seamands e John Bevere, dentre outros, além de estudar exaustivamente os capítulos bíblicos de Gênesis que contam a história de José.
Ágape: A história de José serviu de pano de fundo para os ensinamentos que propõe em sua obra. Quais características dele se destacam para você?
V.C: José é sem sombra de dúvidas, um modelo de esperança. Ele poderia ter desistido de tudo, mas não o fez. Continuou aguardando o tempo de Deus. Ouvimos hoje muitos pregadores estimulando os irmãos a sonharem, mas o sonho de José foi diferente, pois não nasceu de si mesmo, foi Deus quem o revelou. Depois de receber tais sonhos, José passou pela humilhante e traumatizante experiência de ser vendido como escravo pelos irmãos. Ao invés de desanimar, destacou-se e obteve tempos de honra na casa de Potifar. Embora as coisas tivessem melhorado, mais uma vez ele passa por outra experiência negativa: é acusado injustamente de assédio sexual pela esposa de Potifar e acaba na prisão. Ele poderia ter mais uma vez desanimado, mas continuou firme. Na prisão, interpretou os sonhos do padeiro e do copeiro e ficou esquecido por mais um tempo. Para muitos, seria motivo de perder a esperança, mas no tempo certo Deus o exaltou e o colocou como governador do Egito. Uma das características mais marcantes de José foi o perdão que ele consolidou pacientemente. Esperou o momento certo para se revelar e por duas vezes precisou conter o choro e as emoções que estavam guardadas em seu coração. Ele poderia ter perdido a expectativa com sua família, mas se mostrou mais uma vez um modelo de esperança e pôde gozar da riqueza de ter sua família perto de si novamente.
Ágape: Você diz no livro que muitas igrejas deixaram de lado a cura da alma. Como você enxerga isso?
V.C: Venho de uma denominação que emprega a doutrina de santidade, professada por John Wesley. A Bíblia nos ensina que nosso espírito, alma e corpo devem estar plenamente conservados e irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Ts 5.23). A Igreja precisa atentar também para o lado emocional e ajudar nossos irmãos e irmãs a viverem o Reino de Deus na alegria do Espírito Santo, com uma mentalidade renovada, transformada e, sobretudo, saudável. Dar e receber perdão é uma doutrina incontestavelmente bíblica, mas muitos não conseguem se libertar de sentimentos malévolos e que prejudicam a si mesmos. Muitos de nossos irmãos estão na igreja, participam dos cultos, ceiam normalmente, mas estão com os corações recheados de mágoas e ressentimentos. A proposta não é amalgamar a psicologia com a teologia, mas cumprir a ordenança de santidade ao Senhor (1 Pe 1.15,16; Hb 12.14).
Ágape: Quais são suas influências literárias e como os leitores podem encontrá-las em sua obra?
V.C: Na verdade, minhas influências literárias são mais amplas. Prefiro temas teológicos e me identifico muito com escritores como Roger Olson, John MacArthur, John Piper, Paul Washer e o falecido Orton Wiley, dentre outros. Em “Os três choros de José” o leitor encontrará outras linhas teológicas e maiores influências de David Wilkerson, Ubirajara Crespo e John Bevere, que são autores mais alinhados ao ministério de cura da alma. Os leitores poderão encontrar citações destes e de outros autores no livro e se identificarem com as experiências contadas por eles.
Ágape: Fale um pouco sobre você. Seus hobbies, sua trajetória profissional, etc
V.C: Sou um cristão muito simples e amo estudar a Palavra de Deus. Meu hobbie é leitura, cada espaço que consigo, aproveito para ler a Bíblia e outros livros que edificam. Trabalho atualmente numa fábrica de cimento na área de planejamento de manutenção e pastoreio uma igreja na cidade de Barroso, no interior de MG. Sou casado com uma mulher realmente especial, ela me suporta no duplo sentido e temos um casal de filhos, duas bênçãos maravilhosas de Deus.
Ágape: O que os leitores podem esperar do seu livro?
V.C: “Os três choros de José” não é um livro de autoajuda, pois sozinhos, isto é, sem Jesus não podemos fazer nada. Eu o classificaria como ajuda do alto. Nesta obra, os leitores serão convidados a se conhecerem melhor, começando por seus contextos familiares, pelas lembranças que possivelmente os aprisionaram e, assim, poderão compreender melhor o seu presente. Em se tratando de presente, a proposta é que haja uma mudança pontual e legítima, pois muitos tentam postergar e adiar a resolução de seus problemas. Dessa forma, que os leitores possam enxergar um futuro melhor, abundante na presença de Cristo, nosso salvador. Alegoricamente, os leitores farão uma faxina em seus guarda-roupas. Algumas coisas velhas serão jogadas no lixo, pois não servem para mais nada e nem ninguém. Outras serão doadas para terceiros e outras permanecerão guardadas, mas na devida ordem e limpeza. Que os leitores possam ser abençoados através dessa leitura e que Deus seja glorificado acima de tudo. Soli Deo Gloria!
Sobre o autor: VINICIUS COUTO é ministro da Igreja do Nazareno na cidade de Barroso, Minas Gerais. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Castelo Branco e em Teologia pela FAETESF e pós-graduado em História da Teologia. É palestrante, conferencista e, sobretudo, pregador da Palavra de Deus.